Ao contrário do que se imagina, Rui Barbosa quase nunca usava bengala. Carregava, sim, um guarda-chuva de cabo de ouro e um livro debaixo do braço para ler no trajeto de bonde ou carruagem. Só calçava botinas pretas ou marrons, de número 36, e não usava jóias, exceto o relógio de ouro, dentro do qual carregava um retrato da esposa, Maria Augusta - com quem foi casado durante 47 anos e teve cinco filhos -, e a aliança. Detestava ostentar o anel de grau e raramente tirava os óculos. Para ler, usava um pinchê e até na compulsão por devorar livros era igual ao pai. A baixa estatura - 1,58m - e os 48 quilos, além do volumoso bigode branco e da ligeira curva na coluna, faziam do jurista um verdadeiro João José Barbosa em miniatura.
Foi com o pai que o menino aprendeu as técnicas de eloquência que lhe foram tão úteis. O vozeirão, que ninguém compreendia como fora parar naquele corpo franzino, ajudava muito em seu desempenho nas tribunas. Dominando como poucos o ofício de orador, o jurista baiano (nascido em Salvador, a 5 de novembro de 1849) encantou e causou inveja a muita gente. Discursando na Câmara, no Senado ou em praça pública - como fez nas três vezes em que falou aos soldados recém-chegados da Guerra do Paraguai, em 1869 - provocava aplausos intermináveis. Jurista, advogado, diplomata, político e jornalista, Rui Barbosa foi "um homem que teve sua atuação pública baseada num rígido comportamento ético", como disse a ISTOÉ o presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, Mário Machado.