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terça-feira, 23 de setembro de 2008

Bíblia mais antiga do mundo será colocada na Web


A mais antiga Bíblia existente no mundo deve ser colocada na Internet por uma equipe de especialistas da Europa, do Egito e da Rússia. O trabalho de digitalização do manuscrito, conhecido como Codex Sinaiticus, já está sendo feito.
Acredita-se que o Codex Sinaiticus, escrito em grego arcaico, seja uma das 50 cópias das Escrituras encomendadas pelo imperador romano Constantino depois que ele se converteu ao cristianismo.
A Bíblia, cuja maior parte está na Biblioteca Britânica, em Londres, data do século 4. "É um manuscrito muito especial, diferente de todos os outros", diz Scot McKendrick, chefe do Departamento de Manuscritos Medievais e Antigos da Biblioteca Britânica. "Em cada página, existem textos colocados em quatro colunas, e isso é muito diferente."

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A Biblioteca (Miguel Reale)

Morto, a biblioteca
Projeta a sua imagem
Um livro fechado
Para sempre encerrado,
Sem novos títulos ou capítulos,
Mas com mensagens
A seus discípulos.

Já é outra a biblioteca
Sem vida interior
Na orfandade
de seu amor

Obra a pouco e pouco coligidas
Gota a gota de amorosa escolha,
a existência toda resumida
em amarelidas folhas
e, um instante,
a pena da saudade em cada estante.

Sobre a mesa um volume
Com páginas, marcadas,
Feridas abertas sinais de não aproveitadas
descobertas
neste livro
com espanto
se via um dia:
num poema pequenino
por encanto
se descobria.

Neste outro, de sua lavra,
sentia o peso da palavra:
uma palavra a mais
uma palavra a menos
e outro teria sido o seu destino.

Mas não mais terá a dor
que o atormentava tanto,
remorso do não lido
ou treslido
sem igual amor.

Madrugadas e noites lidas
linha a linha
linhas da palmas da mão
dirigidas para o incerto
a partir da solidão.
Na sombra oculta-se o exército
de cupins, traças e baratas
roendo indiferentemente
livros de ciência e filosofia
de arte e de atas,
rendilhando todo um poema
sem poesia...

- Ar! Luz!
grita o sol vibrando na vidraça
mas é tarde, é muito tarde,
quase noite na biblioteca
que cheira a mofo e naftalina,
não tem cheiro de criança,
não tem cheiro de menina.
Dentro dela só lembranças.

_Passa o tempo e o livro fica
em fila de pé
como soldado montando guarda
ao que não é.

A biblioteca remanesce
soberana ao tempo que passa
e tudo que perece,
indiferente ao sol,
aqueça ou não a vidraça.

Chega a noite à biblioteca
E alça igual seu vôo
O pássaro de Minerva.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Quantos anos dura um CD?



(Publicado iniciamente em 18/01/2005 pela Agência Fapesp)



Agência FAPESP - Com a popularização dos gravadores de CD – e, mais recentemente, de DVD –, tornou-se comum colocar diversos tipos de dados em disco, sejam eles textos, fotos ou vídeos. Mais práticos, os discos digitais também são aparentemente mais seguros. Se a informação está em um deles, ela está protegida, certo? Infelizmente não é bem assim.
Será que as informações armazenadas em CD poderão ser lidas daqui a 20 ou 30 anos? Ou mesmo daqui a dez anos? A resposta, de acordo com um estudo feito por pesquisadores do Instituto Nacional para Padrões e Tecnologia (Nist), dos Estados Unidos, depende de uma série de fatores. Por exemplo, a maneira como as mídias são armazenadas ou quais foram os materiais e processos empregados em sua fabricação.
A conclusão é simples: não espere que CDs virgens comprados em camelôs e colocados sem caixa ou envelope em uma gaveta do escritório durem tanto quanto, por exemplo, o bom e velho papel.
Mas a principal dúvida para os cientistas do Nist era saber quanto tempo um CD ou um DVD irá durar, em média. Tal informação é crítica, não apenas para o usuário comum, mas para bibliotecas, universidades, hospitais, bancos, empresas e governos, que costumam armazenar toneladas de informação em discos ópticos.
Em parceria com ao Biblioteca do Congresso norte-americano, os cientistas testaram como discos feitos em diferentes processos de fabricação resistiam ao serem expostos a altas temperaturas, umidade e luz.
O primeiro resultado verificado é óbvio e conhecido por qualquer um que já tenha comprado discos de marcas obscuras: alguns CDs duram mais do que os outros. Mas os testes mostraram que mesmos os produtos das melhores marcas sofrem demasiadamente quando expostos a altas variações no ambiente.
A boa notícia foi que a pesquisa concluiu que discos ópticos, quando bem construídos e armazenados corretamente, podem armazenar dados com segurança por várias décadas. O trabalho foi publicado no Nist Journal of Research.
O passo seguinte será identificar quais são os discos mais qualificados. Para isso, a Nist, ao lado da DVD Association (DVDA) e de diversas agências norte-americanas, decidiu formar o Grupo de Trabalho pela Preservação da Informação Governamental.
O objetivo do grupo é trabalhar em conjunto com os fabricantes de discos ópticos para estabelecer padrões específicos para a qualidade das mídias. O grupo quer que os fabricantes garantam um número de anos mínimo para o armazenamento dos dados nos discos. Tal informação viria impressa na embalagem dos produtos.
Se a proposta do grupo for aceita, CDs e DVDs graváveis poderão, no futuro, serem divididos em tipos, com relação à durabilidade. Por exemplo, discos para 40 anos ou para dois séculos.
Para ler o artigo Stability Comparison of Recordable Optical Discs – A Study of Error Rates in Harsh Conditions, de O. Slattery, R. Lu, J. Zheng, F. Byers e X. Tang e ter outras informações sobre o Grupo de Trabalho pela Preservação da Informação Governamental: www.itl.nist.gov/div895/gipwg
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