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quarta-feira, 25 de maio de 2011

GONÇALVES DIAS – O MARTIR




O imortal cantor dos Timbiras, o insigne libertador da literatura pátria foi um mártir.
Ainda não balbuciava as primeiras palavras, qando sentiu a primeira dor.
Seu “Pae”, procurando escapar às perseguições que naquele tempo lhe moviam em Caxias, partiu para a Europa, abandonando-o.
Ao voltar poucos anos depois, cazou-se com outra mulher. Viu-se, então, o pequenino separado daquela que lhe dera o ser, ficando num triste berço, entregue aos cuidados de mãos estranhas, sem o beijo dos mais doces lábios, sem o calor do mais santo colo – o colo e os lábios da mãe.
É certamente desse berço sem caricias que ele diz mais tarde:
“... Antes meu berço
Que vagidos do infante vivedouro
Os sons finaes de um moribundo ouvisse”.

Criança, entrando a praticar na loja de seu pai,era ai, ,maltratado pelo desapiedado caixeiro que, á força de palmatória, o queria fazer compreender os complicados cálculos do balcão.
Aos quatorze anos apenas, sofreu a grande desgraça de morrer-lhe o pai. E ele que já havia enveredado pelo caminho das letras, veria perdida todas as suas esperanças, se não fora a alma boa e generosa de sua madrasta que o mandou estudar em Coimbra.
Lá, vivendo despreocupadamente, sentindo apenas as saudades da
“... Terra que o sol cálido vigora
E em frouxa languidez estende os nervos...”, achou-se inesperadamente a braços com a miséria devido à suspensão da mesada que lhe mandava a madrasta.
Em pleno florescer da mocidade, enamorou-se de uma “formosa filha de Modengo”, e ele e ela, impulsionados pelo mesmo sentimento, com o ardor próprio da carne nessa bela quadra de vida, ele e ela se amoram apaixonadamente. E desta vez, a sorte ainda foi adversa ao poeta: pobre, sem recursos pecuniários, não pode desposar a sua “doce imajem” que tinha o suspiro.
“Mais saudoso que as auras encantadas”.
Quando foi para obter o pergaminho de bacharel, viu se obrigado, pela falta de dinheiro, empenhar a sua mimosa biblioteca que não pôde mais reaver.
Quis o poeta visitar a formosa Caxias, abraçar a sua querida mãe, rever os lugares onde passara a infância.
Chegado á terra que tanto amava, em vez de receber manifestações carinhosas, teve filho bastardo, que sofrer os ápodos e preconceitos de uma sociedade ignara.
Desprezado pro aqueles que o deviam acariciar, parte para o Rio de Janeiro em busca de meio mais civilizado.
Ai dobrou o martírio do poeta: alem das dores moraes que continuamente sofria, começou a depauparar-se o seu organismo.
Em um desses momentos em que, de uma só vez, lhe deram alanceados corpo e alma escreveu:
“Meu Deus, Senhor meu Deus, o que há no mundo
Que não seja sofrer?
O homem nasce e vive num só instante,
E sofre até morrer!”

E, em verdade, a vida do poeta na pátria, no estrangeiro por onde andou varias vezes, foi toda ela, do berço ao tumulo, uma cadeia de dores!
Ainda nos últimos instantes da vida, no naufrágio da barca em que viajava enfraquecido pelo seu sofrimento físico que o tolhia de procurar a salvação, desprezado pelos de bordo, o mar, pouco a pouco, asfixiando-o, alem da agonia da morte, sofria outra dor, a mais cruel, mais pungente, mais lancinante, a dor de morrer bem perto da terra querida sem poder ouvir o canto do sabiá nos leques da palmeira!
Permite, pois, ó poeta, tu, “Que foste grande na dor como na lira”, que eu deponha, aqui, o meu modesto, mas sincero preito de homenagem.

Mata Roma.
Do Instituto Gomes de Souza
Publicado na Revista Maranhense de 1921.

sábado, 7 de maio de 2011

Quais os brasileiros que os estrangeiros leem

Uma pesquisa encabeçada pelo projeto Itaú Cultural descobriu quem são os escritores brasileiros mais conhecidos no exterior. O resultado pode surpreender os incrédulos, pois, com méritos, o nosso escritor VIVO mais lido no exterior é Moacy Scliar. Mas, é claro, a lista não deixa de lado uma unanimidade nacional, que é o nosso escritor maior: Machado de Assis, o mais lido entre os vivos e mortos. Confira abaixo a matéria da Agência Estado.

Por Antonio Gonçalves Filho, da Agência Estado

A criação de uma rede transnacional pela internet, dedicada à instalação de um banco de dados, levou os organizadores do projeto "Conexões Itaú Cultural - Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira", iniciado no ano passado, a levantar informações curiosas não só para os escritores como para o mercado editorial brasileiro. A primeira delas é que nem só de Paulo Coelho vive a literatura do Brasil.

O escritor vivo mais citado numa pesquisa desenvolvida com tradutores, professores e bibliotecários estrangeiros de 19 países pelos organizadores do projeto não foi Coelho, mas o autor gaúcho Moacyr Scliar, de 62 anos, autor de 17 romances, livros de contos e infantis. A equipe de reportagem do "Grupo Estado" teve acesso exclusivo à lista dos nomes mais lembrados pelos participantes da pesquisa - liderada, como era de se esperar, pelo canônico Machado de Assis, citado 25 vezes na relação dos 55 especialistas consultados, seguido por Clarice Lispector e Guimarães Rosa.

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