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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Turbine sua memória - como lembrar de tudo


Não existe memória ruim, só mal treinada a ciência descobriu que todo mundo pode ser mestre de memória.
Revista Galileu - por Felipe Pontes
Tudo começou em um hospital. Aos 18 anos, o inglês Ed Cooke teve de ficar meses internado para tratar um pro­blema na perna. Para espantar o tédio, decidiu dar uma chance a um presente que ganhara de alguém: um livro com exercícios de memorização. Cinco anos mais tarde, Cooke era Grande Mestre de Memória - só existem 35 no mundo. Guardar uma sequência de mil dígitos aleatórios em menos de uma hora, a ordem precisa de 56 cartas de 10 baralhos na hora seguinte, decorar livros de 700 páginas - Cooke é capaz de tudo isso. E você também.
Em 2003, uma pesquisa conjunta de duas univer­sidades inglesas comprovou que o cérebro de gênios memorizadores é igual ao nosso. A diferença é que Cooke e outros participantes de campeonatos de me­mória treinam constantemente para aprimorar sua capacidade. Partindo de princípios simples, apresen­tados nas próximas páginas (construir uma história, explorar um cenário conhecido, pensar em situações ridículas), é possível lembrar quantidades extraordi­nárias de informação. O sujeito começa decorando a lista de compras e termina sabendo localização e preço de todos os produtos do supermercado. Sem falar, claro, nas vantagens bem palpáveis de lembrar onde você deixou as chaves, o aniversário dos pa­rentes e conteúdo daquela prova semana que vem. Só depende da sua disposição - até porque você não nasceu pra isso.
• Cabeça dinossauro
Nosso cérebro foi feito para lembrar de muita coi­sa. Durante a evolução, o ser humano sobreviveu se deslocando para coletar recursos e depois retornar para sua comunidade. E foram essas demandas que esculpiram nossas memórias, não as do mundo mo­derno. Como regra geral, você nunca vai esquecer das suas necessidades básicas (comer, dormir), e talvez nem sempre lembre do que a sua cabeça pré-histórica considere supérfluo - nas cavernas não havia contas para pagar nem agendamento no dentista. Na defi­nição dos especialistas, uma boa maneira de você enganar seu cérebro, tornando memoráveis coisas que esse troglodita deixaria passar batido. É aí que entra em cena a mneumônica, o conjunto de técnicas conhecidas e ensinadas desde a Antiguidade e que fazem a fama dos Grandes Mestres de Memó­ria. É bem verdade que essas técnicas andavam meio desacreditadas - ao longo do século 20, foram pouco estudadas pelos cientistas, que as viam como deco­reba com grife. Mas a coisa começou a mudar no ano passado, quando os psicólogos cognitívos americanos James Worthen, da Universidade do Sudeste de Loui­siana, e Reed Hunt, da Universidade do Texas em San Antonio, publicaram o livro Mnemonology: Mnemonics for the 21st Century. Nesse estudo aprofundado, a dupla se vale dos estudos neurológicos mais recentes para separar o joio do trigo mneumônico. Sobram de pé as técnicas apresentadas nestas páginas e a comprovação científica de que, aplicando-as, qualquer zé-mané pode lembrar do que quiser. Só faltava um zé-mané para provar isso.
Estamos falando do jornalista americano Joshua Foer - até então, o irmão anônimo do famoso escritor Jonathan Safran Foer. Treinando com Ed Cooke, o mestre do início deste texto, ele passou de sujeito es­quecido a campeão americano de memória em 2006. E olha que não foi nenhum sacrifício olímpico: "Durante 9 meses, eu treinei duas vezes por semana, cerca de 20 minutos", diz Froer. Ele narra sua trajetória no livro A Arte e a Ciência de Memorizar Tudobest-seller do New York Times, com roteiro vendido para Hollywood, que tem lançamento no Brasil previsto para agosto. O título em inglês, "Moonwalking with Einstein", que mistura o famoso passo de dança de Michael Jackson com o físico alemão, é uma homenagem à técnica de criar imagens bizarras e inesquecíveis.
OK, posso decorar tudo que eu quiser. Mas pra quê? É uma pergunta válida. Mesmo na remota possibili­dade de que dígitos aleatórios e decoreba de baralhos façam parte do seu dia a dia, para todo o resto existe auxílio digital: agenda de telefones no celular, cami­nhos no GPS, tudo no Google. Aliás, passar a memória adiante parece ser a alternativa mais sensata.
• Memória terceirizada
Um estudo da consultoria de TI International Da­ta Corporation (IDC) mostra a atual multiplicação da informação: o volume mundial de dados digitais dobra a cada dois anos. "Como temos mais fontes de informação do que nunca, há uma chance maior de esquecer exatamente o que queríamos lembrar", diz o psicólogo cognitivo James Worthen. Mas essa sensação contínua e desagradável de esquecimento não surgiu com os smartphones. Nem com a internet. Muito antes deles, outra novidade tecnológica foi acu­sada de deixar nossa memória sem fio: a escrita.
O filósofo grego Sócrates, que viveu no século 5 a.C., temia que as letras pudessem "enfraquecer a mente dos homens". Para ele, a escrita só poderia ajudar alguém a lembrar do que já sabe, e a inven­ção poderia levar a sociedade a um caminho de declínio moral e intelectual. Ironicamente, seus conhecimentos chegaram a nós por causa de Platão, seu discípulo recém-alfabetizado.
"As novas tecnologias nos livram de fardos. As cal­culadoras fazem aritmética por nós, e esquecemos como fazer contas. O ciberespaço é nossa memória coletiva", diz James Gleick, escritor americano que ganhou 3 prêmios Pulitzer e em março lançou o livro The Information: A History, a Theory, a Flood, onde narra a evolução da informação até a enxurrada atual. Em julho, a psicóloga Betsy Sparrow, da Universidade de Colúmbia, nos EUA, publicou um estudo na revista Science em que analisou o impacto das ferramentas de busca em nossos cérebros. Após um experimento com 100 estudantes de Harvard, ela descobriu que esquecemos justamente o que sabemos que podemos encontrar na internet, lembramos melhor o que não está disponível online. Além disso, somos melhores em lembrar onde encontrar alguma coisa na internet do que da informação em si. Ou seja, o "efeito Google" atrapalha nossa memória retentiva de dados, mas aumenta nossas habilidades de procura. A internet virou, de fato, nossa memória externa. "Se escolher­mos entregar nossa memória à tecnologia, talvez fiquemos livres para explorar nossa criatividade onde as máquinas ainda não podem competir", afirma Gleick. E já há quem viva para isso.
• Backup de lembranças
O americano Gordon Bell, pioneiro da computação na década de 60, fez um experimento consigo mes­mo para mostrar como finalmente podemos escapar do esquecimento biológico. Tudo começou em 1998, quando Bell decidiu digitalizar todos os documentos de papel que guardava desde os anos 50: fotos, ano­tações de trabalho e até imagens de suas roupas. No "ápice" do experimento, retratado em O Futuro da Memória (2009, Editora Campus), ele chegou a gravar quase tudo o que acontecia em sua vida. Para isso, usa­va uma microcâmera em seu peito que tirava fotos a cada 5 segundos, e carregava um gravador para captar todos os sons que ouvia. Tudo o que Gordon lê num computador é automaticamente repassado para um sistema que funciona como um Google pessoal. Lá, ele consegue checar instantaneamente quando e com quem estava em dado momento, e até encontrar o que aquela pessoa disse. "É ótimo ter umbackup de memória", diz o pesquisador da Microsoft de 76 anos. Que critica as técnicas de memorização.
Na verdade, há quem argumente que a cabeça é um dos piores lugares para se guardar uma memó­ria - ao menos se você quiser ser uma versão mais próxima do que realmente aconteceu. Imagine que nosso armazenamento de informações é semelhante a uma trupe de atores (os neurônios) interpretando uma peça. Cada um sabe somente suas falas, que devem ser ditas após a deixa dos outros. Se um dos atores ficar doente, atrapalha a peça, forçando os companheiros a improvisar. A metáfora serve para explicar por que, ao recuperarmos algumas de nossas memórias, nós as fortalecemos, mas en­fraquecemos e esquecemos outras que não estão relacionadas. E (desculpe, Gordon Bell) não há ar­quivo que combata isso.
O neurocientista Greg Dentre argumenta contra e a favor de aparelhos que "externalizam" nosso conhecimento. "Tirar coisas da memória de curto prazo é bom. Se você está pensando em sua lista de compras, nas roupas para lavar, nos afazeres do dia, todas essas coisas impõem uma carga cognítiva, to­mando espaço e prejudicando sua performance."
No entanto, ele admite que retirar coisas da memó­ria e colocá-Ias em aparelhos externos não é necessa­riamente bom. "Passei anos trabalhando em maneiras de escrever e procurar minhas notas incrivelmente detalhadas. No final das contas, minhas memórias acadêmicas estavam agora fora de mim, mortas e inertes, inacessíveis e às vezes surpreendentes para mim mesmo", lamenta o neurocientista.
• Lembranças do futuro
Pelo sim, pelo não, a ciência já planeja desenvolver expansões artificiais de memória. Em junho, um grupo de pesquisadores da Universidade Wake Fo­rest e da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos EUA, usou eletrodos implantados no cérebro de ratos para restaurar e reforçar suas memórias. Mas não há muito espaço para empolgação, já que ainda estamos bem longe de plugarmos um pendrive em nossas cabeças. "Ninguém sabe ainda quais são os mecanismos específicos fundamentais ao aprendizado e memória. Não sabemos se eles são neuroanatômicos, bioquímicos, elétricos ou uma combinação de todos", afirma o psicólogo cognitivo James Worthen. "De qualquer maneira, ainda não estamos numa posição de garantir se esse é o futuro ou não."
Essas incertezas não abalam o neuropsiquiatra austríaco-americano Eric Kandel, Prêmio Nobel de Medicina de 2000 pelas descobertas sobre a codifi­cação de memórias de curto e longo prazo no cére­bro. Para ele, a evolução da tecnologia caminha junto com a evolução da vida humana, e em longo prazo a humanidade aprenderá a lidar com os desafios que surgirem. "Agora, somos um novo tipo de humanos, com uma relação mais natural com as máquinas. Isso aumentará nossos poderes de alguma maneira, mas não sabemos quais serão os efeitos e consequências", afirma.
Mas há especialistas que ainda defendem o bom e velho cérebro. "Uma boa memória é importante para a identidade e percepção de mundo de qualquer um", alerta Ed Cooke, que além de mestre de memória é formado em psicologia e filosofia pela Universidade de Oxford e mestre em ciência cognitiva pela Universidade de Paris. Para Cooke, a memória é muito mais do que informação armazenada. "Se você aprendeu sobre arquitetura, ao olhar para uma casa ela parecerá diferente de co­mo pareceria antes de você saber estas coisas. Não adianta pegar este conhecimento e colocá-Io em seu iPhone. A casa não irá mudar."
O grande mestre de memória não es­pera que todo mundo memorize milhares de dígitos, cartas de baralho ou livros de cabo a rabo como ele. Acima de tudo, Cooke só gostaria que você largasse um pouco o smartphone e tentasse aprender alguma coisa enquanto se diverte com isso. Afinal, não faria mal lembrar me­lhor e ter mais conhecimento. Se isso compensa ou não, a escolha é sua.
- Abuse da Comic Sans
Fontes difíceis de ler ajudam o cérebro a guardar o que está escrito.
Nossa equipe de arte quis censurar essa informação, mas nosso compromisso é com a verdade: estudos indicam que um texto é mais memorável em Comic Sans - fonte tipográfica considerada abaixo de cafona. Uma pesquisa do ano passado feita em conjunto pelas universidades Princeton e Indiana mostrou que absorvemos melhor a informação que lemos em fontes que não estam os acostumados ou são difíceis de ler. A explicação é que a dificuldade de processamento de letras não familiares teria como efeito colateral facilitar o armazenamento daquela informação. Os pesquisadores pediram para os voluntários estudarem descrições de espécies de ETs. Metade estudou na clássica fonte Arial, tamanho 16. O resto leu o material com a fonte Comic Sans e assemelhadas - e em corpo 12. Resultado: com Arial, 73% de acerto; com Comic Sans, 86%. Por esses 13% a mais, não há elegância que resista.
Passeie pela casa
Para que serve:
Lembrar informações pontuais, como listas e fatos históricos. Com tempo e prática, pode servir para lembrar coisas mais complexas, como a ordem e o conteúdo de um longo discurso - foi para isso que ele surgiu na Grécia Antiga, com o nome de "palácio mental".
Como fazer:
Transforme o que quer lembrar em itens e distribua por um lugar que conhece bem (como a casa em que cresceu), em uma sequência que pode ser percorrida na vida real. Na hora de relembrar, visite mentalmente o lugar e observe os itens pelo caminho. Criatividade é fundamental: seu cérebro vai guardar melhor pistas inusitadas - para lembrar de comprar vinho, melhor que um saca­ rolhas seria Gisele Bündchen amassando uvas.
Exemplo simples:
Lembrar dos presidentes brasileiros entre o fim da ditadura e Dilma Rousseff.
1 - Nos fundos da casa, há uma lápide coberta de neve: Tancredo Neves, que morreu sem assumir.
2 - Na cozinha, há um cavaleiro colocando etiquetas pela dispensa: José "Sir Ney", que governou com hiperinflação.
3 - Na sala, um papel de parede colorido é coberto por outro, que lembra o mar. Fernando Collor, que sofreu impeachment e foi substituído por Itamar (mar!) Franco.
4 - OK. pista nerd: no quarto está o túnel do acelerador de partículas LHC, onde brota uma moeda de R$ 1. LHC lembra FHC, Fernando Henrique Cardoso, eleito por criar o Plano Real.
5 - No banheiro há um grande aquário em que uma Lula abraça peixes grandes e pequenos. Luis Inácio Lula da Silva, muito popular e adepto da distribuição de renda.
- Lembre enquanto aprende
Recordar algo que você recém aprendeu é chave para fixar o conteúdo.
Um dos vários estudos que comprovam essa regra foi realizado em 2008 Por Jeffrey Karpicke, da Universidade Purdue. O psicólogo pediu para 40 voluntários aprenderem o significado de 40 palavras de suaíli, uma língua africana. Metade estudou como quis; a outra metade era constantemente forçada a lembrar as palavras durante a aula, sem consulta, mesmo sem saber se as respostas estavam certas ou não. A turma do laço frouxo acertou 36%. Os que tiveram a memória exigida acertaram 80%. Um jeito prático de usar esse método é fechar um livro a cada duas páginas lidas e tentar recordá-Ias.
- Durma de tarde
Cochilar após o almoço é um santo remédio: ajuda até a memória.
Em fevereiro de 2010, o psicólogo Matthew Walker mostrou que a memória pode ser melhorada com um simples cochilo à tarde. O professor da Universidade da Califórnia pediu que voluntários memorizassem 100 nomes e rostos ao meio-dia, para depois repetir o procedimento às 18h. A metade que tirou uma bela siesta de 90 minutos aumentou seus acertos em 10% - já quem ficou acordado piorou 10%.
Crie uma história
Como fazer:
Colocar todos os elementos da lista dentro de um roteiro.
Para que serve:
Lembrar informações diretas numa ordem, como uma lista de afazeres ou de supermercado. Com mais experiência, é possível construir uma narrativa que envolva toda a história de um país, por exemplo.
Exemplo simples:
Antes de uma viagem você precisa realizar as seguintes tarefas:
1 - Comprar comida para o cachorro
2 - Encher o tanque do meu carro
3 - Sacar dinheiro no banco
4 - Colocar as roupas na mala
Criando a história...
1 - Estava passeando com o cachorro; 2 - Passou meu carro com bandidos; 3 - Eles foram assaltar um banco e 4 - A polícia chegou com minhas roupas.
- Dê um tempo
Calcular intervalos entre sessões de estudo ajuda a lembrar na hora da prova.
Até os mais atentos são vítimas da "curva do esquecimento", descoberta pelo psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus no século 19. Você esquece metade do que aprendeu só na primeira hora após aprender. Para driblar essa sangria cognitiva, o psicólogo Hal Pashler, da Universidade da Califórnia, sugere o estudo parcelado. Pegue o tempo que você tem até a prova e divida o conteúdo em 10 partes, dando o mesmo intervalo entre as 10 sessões de estudo. Assim, você só aciona o cérebro quando ele está pronto para reter novas informações.
Melhora muito
Memória semântica: é refletida em "pedaços" de conhecimento que não estão relacionados a um episódio específico no tempo, como saber que a mistura de azul e amarelo dá verde, que o basenji é a única raça de cachorro que não late e que distância = velocidade x tempo.
Melhora
Memória de curto prazo: armazenamento temporário de informação. É onde você guarda o número de telefone que está prestes a ligar.
Não Melhora
Memórias declarativas: aquelas que você deve ter na ponta da língua. como a cor do seu carro ou o que aconteceu na tarde de ontem.
Memória episódica: eventos específicos, datados no tempo, como suas últimas férias ou um show da sua banda favorita.









sssssssssssssss
• Dentro da cabeça
O grande mestre de memória Ed Cooke, 29, acredita que devemos aprender a memorizar mais.
Galileu - Acesso fácil à informação deixa mais inteligente?
Ed Cooke - Não. Com a internet, acreditamos que podemos saber qualquer coisa num instante. é como dizer que levar um dicionário de inglês no bolso vai deixar você fluente em inglês. Se você aprende história da arquitetura e olha para uma casa, ela parece diferente do que antes de você aprender. Não adianta colocar este conhecimento num iPone, porque o conhecimento não é informação.
Galileu - Você critica quem tenta catalogar sua vida para não esquecer?
Ed Cooke - Esse tipo de coisa cria um registro externo, não uma memória externa. É somente um pedaço de informação que está armazendo e a memória é algo muito mais profundo e infinito que isso. É impossível separar a memória e imaginação de sua mente.
Galileu - Mas você vê algum problema real nisso?
Ed Cooke - Quanto mais você externaliza suas coisas, menos concxões são feitas em sua mente. Além disso, percebi que a maioria das vezes que escrevo algo e deixo aquilo em meu computador, a chance de eu nunca mais olhar é grande, mesmo que tenha sido uma boa ideia.
• Fora da cabeça
O pesquisador Gordon Bell, 76, acha que devemos esvasiar a cabeça de "coisas inúteis", para pensar só no que importa.
Galileu - Especialistas argumentam que deveriamos memorizar mais, porque isso muda nossa percepção do mundo. O que você acha disso?
Gordon Bell - Não temos tempo para pensar: coisas importantes disputam espaço com o Twitter, Facebook, telefone. O que se ensina sobre memória é só um paliativo para lidar com essa sobrecarga de informação. Eu tenho uma abordagem diferente: confie o máximo que puder na máquina desta maneira, você tem tempo para adquirir conhecimento em vez de estar sempre muito comprometido.
Galileu - Você não teme ficar dependente de uma máquina?
Gordon Bell - Não é porque eu tenho uma memória digital suplente para me ajudar que eu não lembro de nada. Eu simplesmente memorizo coisas diferentes e úteis. Agora, eu tenho mais poder e habilidade de relembrar e peneirar as informações que tenho.

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